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Essa menina que ouve os Sinos ainda Sou Eu.


Ela era pequena, pouca idade. Desde os cinco anos já cuidava da casa, dos irmãos e até da alimentação básica dos irmãos, tanto que aos seis anos enquanto a mãe tinha o terceiro bebê  ao cozinhar no fogão à lenha , pelo pouco tamanho subira em um banco desses de tora de madeira, depois de mexer o arroz, ajeitando os pedaços de madeira, um deles caiu sobre sobre perna causando em um joelho e na coxa queimaduras graves, cicatrizes que  depois do cinquenta ainda ostenta como  outras tantas que não desaparecerão nunca. Senso de responsabilidade é que tem de sobra e não acumular culpas suas também .
A consciência de ter sempre feito seu melhor a mantem livre de ser refém dessa coisa chamada culpa.
Um dia antes dos nove anos, acordara com um silencio estranho na casa, mas la fora os sinos da igrejinha 
cismavam em badalar e badalar. Era muito cedo, ainda escuro, mas os sinos  não a deixavam voltar ao sono de criança. Foi assim que tonta levantara , asseada que sem fora  tomara banho e vestira sua roupa simples , mas a escolhida para a missa daquele domingo. 
O quarto dos pais era o da da frente, perto da entrada principal, muito movimento acontecera  no dia anterior quando a menina espreitava que sairam dali com uma caixa de sapatos e enterraram no quintal. 
A mãe chorara todo o fim da tarde e fora do quarto não se deixara ver nem por uma vez... Naquele tempo as crianças não tinham lugar como hoje, silenciar era a ordem.
Quando as mulheres amigas se foram, a casa silenciara sem a presença do pai acontecer. Cuidara dos irmãos, alimentara e os levara para dormir.
Portando sairia sem avisar,sem barulho; era só o tempo de uma missa. Mas os sinos  mais uma vez tocaram e tocaram e tocaram. Voltando resolveu dar uma olhada no quarto dos pais que tinha a porta entreaberta. A visão era dantesca: a mãe sozinha na cama, desacordada tinha o rosto sob a borda do urinol de esmalte. Tão pequena a menina Teve poucos segundos pensar mas os sinos presente tocavam e tocavam. Foi assim que  fazendo muita força tirou o rosto da mãe da borda do urinol,  virou-a de lado, respirou fundo, ouviu mais uma vez os sinos e gritando porta a fora foi em busca de socorro. Gritava ela:
- Socorro! Socorro! Socorro!
A cidadezinha era a de Rio Claro no interior do RJ , próxima a Angra dos Reis, os vizinhos se conheciam, na praça a menina percebeu que os sinos que a guiavam tinha a igreja ainda de portas  cerradas. Respirou oxigenando o celebro e virou de frente pras casas do outo lado,  os compadres dos pais ajudariam, tudo muito rápido, virou seu grito de socorro naquela direção e logo já estava com sua mãe dento da ambularia rumo a Angra, onde sua mãe receberia os socorros pós convulsão.
Ninguém foi junto, cuidariam dos irmãos menores, mas ela nessa pouca idade seria a responsável de acompanhar a mãe. Foi , a mãe fora atendida, cuidada e devolvida, fora uma susto apenas, mas somente e pq uma menina havia ouvido os sinos.
Na volta os enfermeiros pararam em uma linda praia de Angra, deixaram a mãe e a meninas verem o mar.
Magico esse encontro, a mãe sofrida, derrotada pela vergonha ,mas viva. 
A menina, ainda com o som dos sinos que a acordara agora ouvia somente o barulho das ondas do mar.
Foi amor a primeira vista.
Não a deixaram entrar no mar, porque entraria com certeza, talvez nem voltasse...
Mas daquele dia em diante o dois sons que a movem passaram a ser o o som das ondas indo e vindo, tanto que hoje depois do 50 anos mora pertinho dela e o som dos sinos que sempre a lembram de que a vida é bela sim e que sempre vale a pena prestar atenção.
A mãe ainda teve outros  quatro filhos, tentou tirar a vida mais duas, morrendo na hora determinada pelo criador antes do 50, já a menina  cuidou de tudo e quando moça casou-se e foi ser feliz morando perto dos sons que a movem, assumiu-se poeta e acredita piamente que a Vida é Bela e que Sonhar é Poder o sonho um dia realizar desde que entre sonho e delírios ouvindo lindamente os Sinos tocando por ela e por todos que acreditarem.
Essa menina; hoje mulher poeta sou Eu.
Catiaho Alcantara

Comentários

  1. Olá, que texto interssante, resgate de memórias lindas.
    Passei para te desejar uma tarde abençoada. bjus

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  2. Lindo teu texto, recordações e vivências! beijos,chica

    ResponderExcluir
  3. Nossa, estou sem palavras.
    Lindo jeito de contar essas memórias.

    Que os sinos continuem a guiar você.

    bjos!

    Eilan

    http://borderline-girl.blogspot.com.br/

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  4. História um pouco triste, de menina muito pequenina para ela, mas é a sua e o tempo tornou-a mais suave na sua memória.
    Tenha um noite descansada.
    Bj
    Teresinha

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  5. Catia.
    Eu aqui na madrugada insone e me deparo com essa pérola de suas recordações!

    Poeta,sim! Amiga...vou lhe dizer:emocionei!

    Também vivo a poetar.è tão bom e renova a vida!

    Sempre seremos meninas a ouvir sinos,querida!

    Parabéns! Seu blog está nos meus favoritos não por acaso.

    Beijos,Deus a abençoe e linda semana


    Donetzka

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