Srs. Sinos muitas vezes tenho muita vergonha, mas aproveitei minhas 3 chances.
Vivemos em um mundo onde o assistencialismo tomou conta e muitos dos que detém o poder entendem ser a distribuição de alimentos, roupas ou outras coisas, a única forma de ajudar a quem entendem por necessitado. Por conta dessa inversão, as pessoas estão cada vez se tornando mais insensíveis a cada dia. E eu me incluo nesse grupo, ainda relutando muitas vezes me percebo atravessando para o outro lado da rua quando alguém está perto da padaria ou do supermercado com o objetivo de pedir ajuda, seja dinheiro ou alguma outra coisa. Já fui pega de surpresa algumas vezes tendo que repensar e me deixar puxar de volta a razão de separar quem pede por vício, de quem pede por necessidade.
Vou contar três dessas vezes:
A 1ª: Eu ia ao correio e de lá pra aula de zumba, antes de sair cortei uma maçã em pequenos pedaços e sai apressada pondo na boca um pedaço de cada vez, já perto do correio, na calçada havia um senhor deitado dormindo, ao lado uma moça olhava para o vazio. Abstrai e tentei não prestar atenção neles, passando por eles coloquei um pedaço da maçã na boca e pensei ter ouvido algo, segui adiante, parei na porta do correio e entendi claramente o que moça havia dito - Moça, me dá um pedaço do que a senhora esta comendo. Daí em diante essa voz cresceu, minha mente se voltou para a realidade: Fome. Catei na bolsa o que encontrei, dei meia volta, cheguei perto da moça e disse: - Filha, desculpe na hora não entendi o que você disse, mas aqui esta o que tenho. Ela me olhou com certo alívio, agradeceu, pegou da minha mão e atravessou a rua indo direto para a padaria Meu esposo passou por ali em seguida e quando eu contei ele disse que ao passar a moça divido pão com o senhor deitado na na calçada.
A 2ª Eu chegava da aula de zumba, suada e cansada e ao entrar apressadamente na portaria de onde eu moro, vi uma mulher com umas crianças apoiadas no grade do meu jardim. Ao me ver a Mulher disse: Moça, arruma algo pra beber? Apressada eu disse que não tinha e entrei, mas meia zonza eu pensava na cena: Um mulher, crianças e ela dividia com eles pão seco e puro, entrei e fui direto na dispensa peguei um caixa de suco, pedi a meu esposo para entregar a ela, fui até o apartamento de meu filho e peguei copos descartáveis e entreguei a meu esposo que já voltava. Contentes eles comeram pão e tomaram suco de uva, tal qual a ceia do Cristo.
A 3ª vez, foi a ontem, eu ia ao mercado rapidamente, de la saia um homem e o funcionário do mercado com as compras no carrinho. Na minha rápida volta, o moço estava na calçada antes da portaria de onde moro, rodeado de bolsas, mais uma caixa dessas com varias caixas de leite. Ele olhava meio pedido para aquele monte de bolsas. Eu entrei direto e fui tentar encontrar uma sacola ou um jeito de ajudar ao moço. Voltei com uma sacola enorme, e entreguei a ele. Voltei pra casa e entendendo não telo ajudado muito, arrumei varias bolsas dessas mais forte e que reutilizamos, voltei a calçada, pedi desculpas por minha intromissão, entreguei as bolsas, vi um sorriso naquele rosto rude
e ouvi um muito obrigado convicto. Novamente pedi desculpas pela intromissão, peguei de volta a sacola enorme, dei até logo a ele e disse: - Vendo o senhor, não pude deixar de me lembrar do meu pai que era pai de 6 filhos e em dia de compra mensal.
Ele mais uma vez sorriu e terminou de arrumar as compras nas bolsas reforçadas.
Essas três coisas me voltam a mente todos os dias. Nada podemos fazer para resolver questões sociais, mas podemos ficar atentos e fazer o nosso possível, não é Srs. Sinos?
Catiaho Alc.
3ª feira, 13 de setembro de 2016, 16:48h
